Antes dos estádios lotados e megaestruturas, o sertanejo passou por palcos modestos da região
Muito antes dos grandes festivais, arenas lotadas e turnês milionárias, o sertanejo raiz teve um palco bem diferente: clubes sociais, circos itinerantes e festas de igreja no interior do Vale do Paraíba.
Cidades como Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Cruzeiro e Piquete já receberam apresentações de duplas que mais tarde se tornariam gigantes da música brasileira. Na época, os shows aconteciam em salões simples, quadras de clubes tradicionais e até em estruturas improvisadas em festas populares.
Relatos de moradores antigos contam que duplas como Chitãozinho & Xororó, Milionário & José Rico, Trio Parada Dura e Sérgio Reis passaram pela região ainda no início ou no auge da fase raiz, quando o contato com o público era próximo, direto e sem os efeitos grandiosos de hoje.
Os ingressos eram vendidos na porta, muitas vezes a preços acessíveis, e o público assistia de cadeiras de plástico ou em pé, bem perto do palco. Era comum o artista cantar, descer para cumprimentar fãs e até participar de jantares organizados por clubes e comissões de festa.
Naquela época, o sertanejo era mais do que entretenimento — era encontro social. Famílias inteiras iam aos bailes, festas do peão e eventos beneficentes. A música falava da roça, do amor sofrido, da fé e da vida simples — temas que sempre fizeram parte da realidade do Vale.
Hoje, com o sertanejo dominando o cenário nacional em grandes produções, muita gente da região guarda com orgulho a lembrança de ter visto esses artistas “de pertinho”, quando ainda se apresentavam em palcos modestos do interior.
Mais do que memória, essas histórias mostram que o Vale do Paraíba sempre teve papel importante na rota da música sertaneja.
