Primeiro avião agrícola autônomo começa a ganhar espaço nas fazendas brasileiras

Uma nova tecnologia começa a transformar a aviação agrícola no Brasil: o avião autônomo voltado para pulverização de lavouras. O modelo Pelican Spray já tem 79 unidades vendidas no país e vem sendo utilizado principalmente em propriedades de grande porte que produzem grãos e fibras.

A aeronave foi desenvolvida pela empresa americana Pyka e já está em operação em fazendas como as do Grupo Natter, no estado de Mato Grosso. Segundo o CEO do grupo, Rafael Bortoli, a decisão de testar o equipamento surgiu após conhecer a tecnologia em uma feira do setor. Mesmo sendo uma novidade ainda pouco difundida no país, a aposta tem mostrado resultados positivos.

Para receber a aeronave, a fazenda precisou adaptar sua estrutura, criando áreas específicas para troca rápida de baterias e abastecimento da calda utilizada na pulverização. Além disso, foram construídas pistas curtas dentro da propriedade, já que o modelo precisa de apenas cerca de 50 metros para pousar e decolar.

Com essas adaptações, o desempenho superou a expectativa inicial. Em testes realizados na propriedade, o avião conseguiu pulverizar cerca de 123 hectares por hora, acima da estimativa do fabricante, que era de 90 hectares no mesmo período. Em um único turno de trabalho, a área atendida chegou a 881 hectares.

Outra vantagem é a possibilidade de operação noturna. Como o equipamento não transporta piloto, ele pode trabalhar durante a noite, algo que não é permitido para aviões agrícolas tripulados segundo a legislação brasileira. Isso permite aproveitar melhor as condições climáticas e aumentar a produtividade das aplicações.

O avião opera com dois técnicos responsáveis pelo monitoramento e controle das missões. Mesmo assim, o custo operacional tende a ser menor do que o de aeronaves tradicionais. De acordo com o fabricante, o valor por hectare pulverizado varia entre 1 e 2 dólares, cerca de 30% mais barato que em aviões convencionais.

Cada unidade do equipamento custa a partir de cerca de 550 mil dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 2,9 milhões antes de impostos. Apesar do investimento elevado, produtores apontam que a economia com manutenção e eficiência operacional pode compensar o valor ao longo do tempo.

A aeronave também se destaca pela precisão da pulverização. O sistema foi projetado para reduzir a chamada deriva — quando o produto aplicado se dispersa no ar e não atinge o alvo corretamente. Isso melhora o controle de pragas e doenças nas lavouras.

Segundo Mateus Delacqua, diretor da empresa Synerjet, responsável pela representação da tecnologia no Brasil, a velocidade menor do equipamento e o formato das asas ajudam a manter maior estabilidade na pulverização.

Com mais de um ano desde o lançamento comercial no país, o modelo já possui 14 aeronaves em operação e uma fila de entregas programada até 2029. Os principais compradores são grandes grupos agrícolas, como SLC Agrícola, Amaggi e outras propriedades com grandes áreas de cultivo.

Apesar de ser tecnicamente classificado como um drone de grande porte, o equipamento tem dimensões comparáveis às de aviões agrícolas tradicionais, com cerca de 11,5 metros de envergadura e capacidade para transportar até 300 litros de produto para pulverização. Ele também precisa seguir regras da Agência Nacional de Aviação Civil, sendo registrado como aeronave não tripulada em sistemas específicos.

Especialistas do setor acreditam que tecnologias como essa devem ganhar cada vez mais espaço no agronegócio brasileiro, principalmente em propriedades de grande escala, onde a eficiência e a precisão nas aplicações são fundamentais.

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