Praga provocou prejuízo estimado em US$ 25,8 bilhões e derrubou quase um quarto da colheita nacional
A cigarrinha-do-milho, considerada hoje uma das maiores ameaças à cultura no país, provocou prejuízos estimados em US$ 25,8 bilhões entre as safras 2020/2021 e 2023/2024. No mesmo período, a praga foi responsável por uma redução de 22,7% na produção nacional, o que representa uma perda média de 31,8 milhões de toneladas de milho por ano.
Os números fazem parte de um estudo desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Embrapa e a Epagri, de Santa Catarina. O levantamento utilizou dados do Projeto Campo Futuro, iniciativa do Sistema CNA/Senar que monitora custos de produção agrícola em todo o país.
De acordo com o estudo, 79,4% dos municípios analisados relataram impactos significativos da cigarrinha na produtividade das lavouras. Além da queda no volume colhido e na receita dos produtores, o trabalho também identificou um aumento expressivo nos custos de controle da praga. Entre as quatro safras avaliadas, o gasto médio com inseticidas subiu 19%, ultrapassando US$ 9 por hectare.
A pesquisa considerou informações técnicas coletadas em 34 municípios representativos das principais regiões produtoras de milho do Brasil. Durante os encontros do Campo Futuro, produtores e especialistas quantificaram, por consenso técnico, as perdas associadas à cigarrinha-do-milho e ao chamado complexo de enfezamentos, doenças transmitidas pelo inseto.
Esses enfezamentos, causados principalmente por molicutes, não têm tratamento curativo. Em áreas com alta infestação e uso de híbridos suscetíveis, as perdas podem chegar a 100% da produção, segundo o estudo.
Risco para renda e competitividade
Para Tiago Pereira, assessor técnico da CNA e um dos autores da pesquisa, a cigarrinha deixou de ser um problema pontual e passou a representar um risco estrutural para a cadeia do milho no Brasil. “Estamos falando de perdas que afetam diretamente a renda do produtor, a estabilidade da produção e a competitividade do país. O diferencial do estudo é transformar uma percepção recorrente em números com base científica”, destacou.
A coordenadora do Campo Futuro, Larissa Mouro, reforça que o histórico de dados permitiu consolidar uma estimativa econômica com alcance nacional. Já a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, afirma que os resultados fornecem subsídios técnicos importantes para políticas públicas e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo da praga e das doenças associadas.
O Brasil é atualmente o terceiro maior produtor mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, e ocupa a segunda posição entre os maiores exportadores globais. Diante desse cenário, o estudo conclui que reduzir as perdas causadas pela cigarrinha-do-milho é essencial para garantir segurança alimentar, renda ao produtor e estabilidade no abastecimento interno e internacional.
