Após mais de duas décadas de tratativas, Mercosul e União Europeia oficializam acordo comercial

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Depois de 26 anos de negociações, representantes do Mercosul e da União Europeia formalizaram neste sábado a assinatura do acordo de livre comércio entre os dois blocos. A cerimônia ocorreu em Assunção, no Paraguai, e reuniu chefes de Estado, chanceleres e autoridades da diplomacia sul-americana e europeia.

O evento contou com pronunciamentos de sete representantes dos países envolvidos. Falaram os presidentes do Paraguai, Santiago Peña; da Argentina, Javier Milei; do Uruguai, Yamandú Orsi; e da Bolívia, Rodrigo Paz. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou presencialmente da cerimônia, e o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Durante seu discurso, o chanceler brasileiro ressaltou a importância do diálogo, da cooperação internacional e da construção coletiva de soluções. Vieira afirmou que o atual cenário global é marcado por instabilidade e tensões geopolíticas. Segundo ele, o acordo simboliza a defesa da democracia e do sistema multilateral diante do avanço do protecionismo e de práticas coercitivas nas relações internacionais.

Pela União Europeia, discursaram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa. O presidente do Panamá, José Mulino, também participou da solenidade como convidado especial.

Ursula von der Leyen destacou que a assinatura do tratado envia uma mensagem clara ao mundo ao priorizar o comércio em vez da imposição de tarifas. Segundo ela, o compromisso firmado busca fortalecer parcerias duradouras, estimular relações produtivas e gerar resultados concretos para empresas e cidadãos dos dois blocos.

Antonio Costa reforçou o mesmo posicionamento, afirmando que o acordo representa uma defesa direta do livre comércio e do multilateralismo, com base no respeito ao direito internacional como pilar das relações entre os países.

O presidente argentino, Javier Milei, mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar o cenário político da Venezuela. Ele afirmou que o isolamento do país vizinho evidencia os impactos da ruptura internacional, elogiando a postura do governo norte-americano e classificando Nicolás Maduro como ditador e terrorista.

Antes da cerimônia, o presidente Lula utilizou as redes sociais para comentar a assinatura do acordo, classificando o momento como um marco histórico. Segundo ele, o entendimento entre Mercosul e União Europeia fortalece o multilateralismo e deve gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais, com criação de empregos, estímulo à renda e promoção do desenvolvimento sustentável.

Após os discursos oficiais, os ministros das Relações Exteriores do Mercosul — Pablo Quirno (Argentina), Mauro Vieira (Brasil), Mario Lubetkin (Uruguai) e Rubén Ramírez (Paraguai) — assinaram o documento ao lado do comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič. A programação incluiu ainda entrevista coletiva e almoço oficial no Palácio do Governo paraguaio.

Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa cumprir etapas formais para entrar em vigor. O texto deverá ser aprovado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos e também pelo Parlamento Europeu. No caso do Brasil, o tratado passará a valer após a ratificação pelo Congresso Nacional.

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