O agronegócio brasileiro encerrou 2025 fazendo história. As exportações do setor somaram US$ 169,2 bilhões, o maior valor já registrado, respondendo por 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior. Na prática, isso significa que quase metade das divisas que entraram no país veio do campo. Sem esse desempenho, a balança comercial nacional teria enfrentado sérias dificuldades.
Mais produção, não mais preço
Embora o faturamento tenha crescido 3% em relação a 2024, o preço médio dos produtos exportados teve uma leve queda de 0,6%. O recorde, portanto, foi impulsionado principalmente pelo aumento de volume, que avançou 3,6%. Em outras palavras, o produtor brasileiro precisou colher, criar e embarcar mais para manter o caixa positivo.
Soja e carnes lideram
O complexo soja continuou sendo o principal motor das exportações. Apenas a soja em grão rendeu US$ 43,5 bilhões, com um embarque histórico de 108,2 milhões de toneladas, alta de 9,5%.
O ano também foi extremamente positivo para as proteínas animais. As exportações de carne bovina, suína e de frango atingiram volumes recordes, consolidando o Brasil como um dos maiores fornecedores globais de alimentos.
Outros produtos também ganharam destaque. O café apresentou forte crescimento nas vendas externas, especialmente a partir de São Paulo, enquanto itens como melão e amendoim bateram recordes, reforçando a diversificação da pauta exportadora.
Mato Grosso lidera o ranking
No mapa das exportações agropecuárias, Mato Grosso manteve a liderança nacional, sendo responsável por 17,3% de tudo o que o agro brasileiro exportou. Logo atrás veio São Paulo, com 17%, puxado principalmente pelo açúcar e pelo suco de laranja. O protagonismo mato-grossense confirma o peso do estado como um dos principais motores do agronegócio brasileiro.
O agro como garantia do superávit
O saldo da balança comercial do setor foi outro dado impressionante. Em 2025, o agronegócio registrou um superávit de US$ 149,07 bilhões, resultado da diferença entre exportações e importações. Esse montante foi essencial para compensar déficits de outros segmentos da economia e garantir que o Brasil fechasse o ano com contas externas no azul.
O que observar em 2026
Apesar do desempenho robusto, alguns sinais de atenção já aparecem para o próximo ano. A China, principal compradora dos produtos brasileiros — responsável por cerca de um terço das exportações do agro — anunciou novas cotas para importação de carne em 2026, o que pode limitar o ritmo de crescimento.
Além disso, com os preços das commodities mais estáveis ou em queda, a rentabilidade do produtor dependerá cada vez mais de controle de custos e eficiência na gestão. O cenário segue promissor, mas exige planejamento e margem de erro cada vez menor.
