Meteorologistas estão atentos ao possível fortalecimento do El Niño ao longo de 2026. As projeções mais recentes indicam que o aquecimento acima do normal das águas do Pacífico Equatorial deve começar a se consolidar a partir de maio, ganhando força nos meses seguintes e provocando mudanças importantes no padrão climático em várias regiões do país.
De acordo com especialistas, os primeiros sinais mostram que o fenômeno pode evoluir de forma mais acelerada. Modelos climáticos internacionais já apontam alta probabilidade de um El Niño bem definido entre o fim do inverno e o começo da primavera. Historicamente, o pico costuma ocorrer entre novembro e janeiro.
O aumento da temperatura do oceano, aliado ao aquecimento da atmosfera, amplia a energia disponível para a formação de tempestades intensas. Não por acaso, os anos de 2023 e 2024, considerados entre os mais quentes já registrados no planeta, coincidiram com a atuação de um El Niño forte e marcado por eventos extremos.
Impactos diferentes pelo país
Os efeitos não devem ser uniformes no Brasil. No Sul, a tendência é de um inverno mais chuvoso e com maior frequência de temporais e risco de enchentes. Já na Amazônia, no Nordeste e em áreas do Centro-Oeste, a previsão indica chuvas irregulares, períodos prolongados de calor e maior possibilidade de estiagem.
As massas de ar frio devem ter atuação mais restrita em 2026, concentrando-se principalmente entre maio e junho. A partir de julho, com o fortalecimento do fenômeno, a tendência é de redução das frentes frias e aumento dos extremos de temperatura no fim do inverno e durante a primavera.
Na Região Norte, a expectativa é de cheia mais significativa nos rios amazônicos, seguida por uma vazante acentuada. Especialistas alertam que, após o período de cheia, podem ocorrer fases longas de tempo seco e calor intenso.
Outro ponto de atenção é o início da próxima estação chuvosa. Apesar da possibilidade de pancadas isoladas entre agosto e setembro no Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste, isso não garante regularização das chuvas. A reposição de água no solo e nos reservatórios pode ficar abaixo do necessário, impactando o abastecimento, a geração de energia hidrelétrica e o planejamento das lavouras.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Ele altera a circulação dos ventos e o regime de chuvas em várias partes do mundo. Costuma ocorrer a cada dois a sete anos e pode durar de nove a doze meses.
O nome faz referência ao “Menino Jesus”, já que o fenômeno geralmente atinge seu ápice em dezembro. Durante sua atuação, é comum haver chuvas mais intensas no Sul do Brasil, enquanto Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste enfrentam tempo mais seco e temperaturas elevadas.
O El Niño é a fase quente do fenômeno conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). A fase oposta, marcada pelo resfriamento das águas do Pacífico, é chamada de La Niña.
