Da viola caipira às rodas culturais, músicos da região preservam a identidade do homem do campo e da música raiz
Mesmo longe dos grandes palcos nacionais, o Vale do Paraíba segue sendo um importante guardião da música sertaneja raiz e da cultura caipira. Em cidades como Lorena, Guaratinguetá, Aparecida, Cruzeiro, Roseira e Piquete, violeiros e artistas locais continuam mantendo viva uma tradição que nasceu no campo, passou pelas romarias e atravessou gerações.
A viola caipira, símbolo do homem da roça e da vida simples do interior, ainda é presença constante em rodas de viola, encontros culturais, festas comunitárias e eventos religiosos espalhados pela região. Esses encontros, muitas vezes organizados de forma espontânea, reúnem músicos que preservam modas antigas, histórias cantadas e valores ligados à vida rural.
Alguns artistas da música raiz também ganharam projeção ao participar de programas voltados à cultura sertaneja. É o caso de Ronaldo Viola Filho, que segue o legado deixado por seu pai na música sertaneja tradicional, interpretando clássicos que falam do campo, da fé e da saudade do interior. Outro destaque é a dupla Rafael Viola & Dinelson, conhecida por manter um repertório fiel à moda de viola e às raízes da música caipira.
Além dos artistas, os espaços culturais e encontros regionais desempenham papel fundamental na preservação dessa identidade. Casas de cultura, praças públicas, mercados municipais e festas tradicionais recebem violeiros de várias cidades do Vale, fortalecendo a troca de repertório e mantendo a música viva entre diferentes gerações.
A ligação entre fé e sertanejo, tão forte na região, também contribui para essa preservação. Aparecida, por exemplo, é reconhecida historicamente como o berço do Dia do Sertanejo, criado pela Rádio Aparecida, reforçando o papel do Vale do Paraíba como um dos principais polos da música sertaneja raiz no Brasil.
Em meio às transformações do sertanejo moderno, os violeiros e artistas locais seguem firmes como guardiões da tradição, mostrando que a verdadeira música do campo continua viva, tocada na viola, cantada com o coração e passada de geração em geração no interior paulista.
