A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, aprovou o cultivo comercial da cannabis no Brasil, exclusivamente para uso medicinal e farmacêutico. A nova regra ainda precisa ser publicada no Diário Oficial e começa a valer em até seis meses.
Mas especialistas alertam: o impacto pode ser pequeno.
Isso porque a resolução permite o plantio apenas com até 0,3% de THC, substância responsável pelos efeitos psicoativos da planta. Segundo estudos, esse limite pode tornar a produção nacional pouco competitiva.
Um levantamento aponta que, até 2030, cerca de 2 milhões e 100 mil brasileiros devem utilizar medicamentos à base de cannabis. Para atender essa demanda com o limite de 0,3% de THC, seriam necessários 33 mil e 700 hectares de plantio, com investimento estimado em R$ 2 bilhões.
Se o limite fosse de 0,5%, a área cairia para cerca de 10 mil hectares, e o investimento seria bem menor: R$ 603 milhões.
Mesmo assim, o mercado poderia gerar uma receita líquida de mais de R$ 2,5 bilhões, podendo chegar a quase R$ 3,5 bilhões com regras menos restritivas.
Outro ponto criticado é que o cultivo foi liberado apenas para fins medicinais. Usos como fibra, sementes e grãos, que poderiam gerar renda no campo, ficaram de fora.
Por outro lado, a Anvisa também aprovou uma resolução específica para pesquisas científicas, permitindo cultivo sem limite de THC. Especialistas acreditam que isso pode abrir caminho para mudanças futuras, mas estimam um prazo de três a cinco anos para novas regras.
Já a indústria avalia a decisão como um avanço gradual e afirma que projetos experimentais devem começar em estados como Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia, com foco em pesquisa, fibras naturais e recuperação do solo.
