
O prato mais tradicional da mesa brasileira deve passar por mudanças em 2026. Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil colherá menos arroz e feijão neste ano, em razão principalmente da redução das áreas cultivadas.
A produção de feijão, uma das principais fontes de proteína vegetal no país, deve apresentar uma leve retração de 0,5%. A principal causa é a diminuição de quase 2% na área plantada. Somando as três safras previstas para o ano, o volume total deve atingir cerca de 3 milhões de toneladas. O maior recuo é esperado no feijão preto, cuja produção pode cair mais de 12%.
Já o arroz deverá ter uma queda mais expressiva. A estimativa aponta redução de 13,3% na colheita, reflexo direto da retração de quase 10% nas lavouras. Com isso, a produção nacional deve ficar próxima de 11 milhões de toneladas em 2026. O plantio já foi concluído e a colheita está prevista para começar a partir da segunda metade de fevereiro.
Enquanto esses dois alimentos básicos registram recuo, a soja segue em trajetória oposta. A Conab projeta crescimento de 2,7% na produção do grão, que pode atingir 176,1 milhões de toneladas, volume suficiente para estabelecer um novo recorde no país.
E o preço no supermercado?
Apesar da queda esperada na produção de arroz e feijão, especialistas avaliam que o efeito sobre o custo para o consumidor tende a ser pequeno. De acordo com Guilherme Moreira, coordenador do IPC-Fipe, a existência de estoques elevados reduz a chance de repasses significativos aos preços.
“O mercado ainda conta com uma boa oferta acumulada, o que ajuda a amortecer qualquer pressão causada pela redução da safra”, explica o economista.
No caso do arroz, o Brasil encerrou o ciclo 2024/25 com uma das maiores colheitas de sua história, alcançando cerca de 12,7 milhões de toneladas.
Além disso, os dois produtos tiveram queda de preços ao longo de 2025: o arroz ficou cerca de 25,7% mais barato e o feijão recuou 6,2%, segundo dados do IPC-Fipe. Juntos, eles representam pouco mais de 1% do índice oficial de inflação, o que limita seu impacto sobre o custo de vida.
