Capital do agro: Sorriso (MT) amplia protagonismo no campo brasileiro

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O epicentro da produção agrícola nacional

Localizada no coração de Mato Grosso, em uma região de transição entre o Cerrado e a Amazônia, Sorriso se consolidou como uma das cidades mais estratégicas do agronegócio brasileiro. Em agosto de 2025, o município reafirmou seu papel de destaque ao figurar entre os três maiores produtores de grãos do país, sendo referência em volume, tecnologia e organização produtiva.

A força econômica do município é expressiva. Em 2020, o valor da produção agrícola alcançou R$ 5,3 bilhões, um salto de 35,5% em relação ao ano anterior. Já em 2023, Sorriso manteve a liderança nacional pelo quinto ano consecutivo, atingindo R$ 7,8 bilhões em valor bruto da produção, o equivalente a cerca de 1% de tudo o que é produzido no campo brasileiro. Além da escala, o município se diferencia pelo avanço em sustentabilidade, inovação e diversificação de cadeias produtivas.


Força produtiva e impacto econômico

A base agrícola de Sorriso é ampla e altamente especializada. Soja e milho lideram a economia rural local, mas a cidade também se destaca no algodão, feijão, silvicultura e aquicultura. Em 2023, a soja movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões, enquanto o milho respondeu por R$ 2,1 bilhões. O algodão em caroço somou R$ 1 bilhão, e o feijão gerou cerca de R$ 185,8 milhões.

O protagonismo do município reflete o peso de Mato Grosso no cenário nacional: seis das dez cidades com maior valor de produção agrícola do Brasil estão no estado, que também lidera os rankings de soja, milho, algodão e rebanho bovino.

Essa pujança se traduz em qualidade de vida. O PIB per capita de Sorriso chegou a R$ 68,8 mil em 2018, evidenciando como o agronegócio impulsiona o desenvolvimento local. O interesse do setor privado também acompanha esse crescimento. A instalação de concessionárias e redes de máquinas agrícolas, como a ampliação da Fendt pela Vamos em 2021, reforça a confiança no potencial produtivo da região.


Sustentabilidade e inovação no centro da estratégia

Um dos diferenciais de Sorriso é a integração entre produção em larga escala e responsabilidade ambiental. O Pacto Regional de Sorriso, criado em 2019, reúne governo, empresas e sociedade civil para transformar o território em uma área de fornecimento sustentável de grãos. Entre as metas estavam o combate ao desmatamento ilegal e a recuperação das Áreas de Preservação Permanente degradadas.

A certificação RTRS (Round Table on Responsible Soy) é um dos pilares desse modelo. Desde 2015, produtores locais vêm adotando o selo, que já cobre cerca de 250 mil hectares de soja e milho em mais de 45 propriedades. Além de garantir boas práticas ambientais e sociais, a certificação traz ganhos econômicos, como prêmios pagos pelas tradings, acesso a linhas de crédito verdes e condições especiais na compra de máquinas. Assim, a sustentabilidade passou a ser também um diferencial competitivo.


Apoio à agricultura familiar e segurança alimentar

Mesmo sendo um gigante na produção de commodities, Sorriso também investe na agricultura familiar. Programas como o Frutifica e o Horta Viva atendem mais de 70 pequenas propriedades, oferecendo sementes, assistência técnica, máquinas e apoio à produção de silagem.

A prefeitura compra parte da produção para abastecer o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Mesa Saudável, injetando cerca de R$ 2 milhões por ano no setor. Além disso, o microcrédito rural destina R$ 1 milhão para beneficiar até 300 agricultores familiares. Essa política fortalece a economia local, melhora a renda no campo e garante maior segurança alimentar para a população.


Tecnologia e agricultura de precisão

Sorriso também é referência em agricultura irrigada e de precisão. O município conta com mais de 500 propriedades irrigadas e cerca de 670 pivôs, que juntos cobrem quase 90 mil hectares — mais da metade de toda a área irrigada de Mato Grosso.

No campo, o uso de sensores, drones, GPS e softwares de gestão é cada vez mais comum, permitindo aplicar água, fertilizantes e defensivos com maior eficiência. Empresas especializadas em tecnologia agrícola ajudam a sustentar esse ecossistema de inovação. O desafio, porém, é garantir mão de obra qualificada para operar e interpretar os dados, tornando a capacitação profissional um fator decisivo para o futuro do setor.


Clima, pragas e logística: os grandes desafios

A produção agrícola em Sorriso segue altamente dependente do clima. A safra de soja 2023/24 teve perda de cerca de 7% devido ao calor e à irregularidade das chuvas. Para 2024/25, a expectativa era de recuperação, com previsões de aumento de produtividade entre 11% e 15%, apoiadas pela normalização das chuvas e por investimentos em irrigação e sementes mais resistentes.

No milho, a colheita de 2024/25 foi concluída em julho de 2025 com bons resultados, apesar da pressão da cigarrinha-do-milho. Já na logística, os custos de frete e o preço do diesel continuam pesando, mas cooperativas como a Coas têm sido essenciais para organizar o escoamento e atender mercados como China e México.


Perspectivas para o futuro

Reconhecida nacionalmente como a Capital do Agronegócio, Sorriso entra em 2025 ainda mais fortalecida. A cidade participa de eventos estratégicos, como a FIT Pantanal, para divulgar seu modelo produtivo e atrair novos negócios.

A combinação de alta produtividade, agricultura familiar estruturada, sustentabilidade certificada e uso intensivo de tecnologia coloca o município em posição privilegiada para seguir crescendo. O grande desafio será equilibrar expansão, preservação ambiental, gestão da água e formação de profissionais preparados para o agro cada vez mais digital. Se conseguir manter esse equilíbrio, Sorriso tende a seguir como uma das maiores potências do campo brasileiro nos próximos anos. 🌾🚜

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