Tuias e ciprestes se destacam como alternativa natural para a decoração de Natal

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Com a chegada das festas de fim de ano, a procura por tuias e ciprestes cresce em todo o Brasil. Essas espécies ornamentais vêm ganhando espaço como opção sustentável para a decoração natalina, já que podem ser replantadas após o uso. Embora não haja dados oficiais consolidados sobre a produção nacional, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul seguem como os principais polos produtores.

No estado de São Paulo, o cultivo dessas árvores está espalhado por mais de 30 municípios, com destaque para Holambra, Mogi das Cruzes, Santo Antônio da Posse, Rio Grande da Serra, Ibiúna e Herculândia.

Grande parte dessas plantas chega ao consumidor por meio da Ceagesp. A instituição estima comercializar cerca de 26,56 toneladas de árvores em vasos neste ano, conforme números da Seção de Economia e Desenvolvimento (SEDES). A marca é um pouco inferior às vendas de 2024, que fecharam em 27,6 toneladas.

A produtora Mara Stangari, referência no cultivo de ciprestes, já viu cerca de 100 mil árvores passarem por seu viveiro ao longo de quase dez anos. Apesar de sua experiência de 36 anos na fruticultura, foi apenas nos últimos anos que ela e o marido, Osvaldo José da Silva, decidiram investir de forma mais intensa nas variedades ornamentais no sítio administrado pela empresa familiar, a Mari Plantas.

O início do empreendimento foi simples: Mara trabalhava como doméstica, e Osvaldo era cortador de cana. O bônus conquistado pelo desempenho dele no campo permitiu a compra da propriedade rural que deu origem ao atual negócio. Em 2015, o casal apostou no cultivo de ciprestes italianos, espécie que estava em alta em projetos paisagísticos de hotéis, condomínios, clubes e resorts.

Hoje, Mara praticamente se dedica apenas aos ciprestes italianos. A produção ocupa cerca de dez hectares e segue um ciclo longo: são necessários aproximadamente cinco anos para que a planta atinja quatro metros de altura — medida mais buscada pelo mercado. “Não é algo rápido”, brinca a produtora. “Os tamanhos mais populares variam entre três e cinco metros.”

Demanda aquecida no fim de ano

De acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), o setor de flores e plantas ornamentais deve encerrar 2025 com crescimento entre 6% e 8%. Para o período de Natal e Ano-Novo, a projeção é de alta de cerca de 9% nas vendas.

Entre as plantas mais procuradas estão tuias holandesas, tuias stricta e diferentes variedades de ciprestes, que se consolidaram como alternativas naturais às tradicionais árvores de Natal. Apesar do pico de demanda ocorrer em dezembro, o comércio dessas espécies registra boas vendas durante todo o ano, em razão do estilo vertical e elegante que combina com tendências arquitetônicas atuais.

Durante o Natal, os ciprestes são vendidos em vasos para uso interno. “Eles aguentam ficar até 30 dias dentro de casa. Depois disso, precisam ir para o jardim”, explica Mara. Assim, plantas inicialmente adquiridas apenas para decoração acabam se tornando parte permanente das residências — e podem viver por mais de 70 anos.

Nas duas primeiras semanas de dezembro, Mara já tem 200 árvores vendidas para entregar. Na Ceagesp, até o dia 2 deste mês, as vendas já somavam 6,64 toneladas de ciprestes em vasos.

A produtora cultiva cerca de 20 mil mudas a cada ciclo de dois anos. No primeiro ano, elas permanecem em estufa e, depois, são transferidas para vasos de três litros. Quando atingem cerca de 1,20 metro, são movidas para recipientes definitivos de 25, 40 ou 80 litros.

“O ciclo completo leva de três a cinco anos até que a planta atinja entre três e cinco metros”, detalha Mara. A espécie prefere locais ensolarados, clima ameno e boa umidade. “Um exemplar com três metros custa entre R$ 800 e R$ 850, incluindo o frete”, afirma. Segundo ela, o preço praticamente dobrou nos últimos dois anos.

Parecidas, mas diferentes

Apesar de frequentemente confundidas, tuias e ciprestes não são a mesma coisa — embora ambas pertençam à família Cupressaceae. As tuias, do gênero Thuja, formam copas mais densas e podem ter origem na América do Norte e em países asiáticos como Japão, Coreia e China. Seu aroma lembra abacaxi ou limão.

O cipreste italiano, por sua vez, também chamado de cipreste toscano ou mediterrâneo, tem ramos verticais e formato mais estreito. Ao todo, a família Cupressaceae reúne cerca de 16 gêneros, sendo as tuias e os ciprestes italianos os mais populares no Natal.

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